terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Neve em três capítulos: encantamento, desentendimento e reconcialiação

*ler escutando "One", do U2

Encantamento

No início, eram só flores - apesar de o inverno só deixar os espinhos (agora, literalmente falando). A neve traz uma sensação de limpeza, uma sensação cinematográfica. Ao menos pra mim, que vim de uma cidade quente da muléstia, no Nordeste do Brasil.

Eram quatro e meia da madrugada de um dos últimos dias de novembro quando fui acordado por uma mensagem de celular que dizia: “Saia de casa! Está nevando!”. Ao olhar pela janela, vi o meu quintal branco, os carros brancos, as árvores brancas. Fiquei ali, uns segundos completamente enternecido. Mas isso não me bastava, queria não só ver como sentir aquilo. Ao descer as escadas de casa, outros dois brasileiros estavam saindo do quarto deles pelo mesmo motivo. Num frio de cerca de dois graus Celsius negativos saímos do calor e entramos no freezer, que era o lado de fora, para sentirmos os flocos de neve cairem sobre as nossas cabeças. Parecíamos pinto no lixo, crianças ao abrir dos presentes em noite de Natal. Foi amor à primeira vista: eu e a neve, a neve e eu!

Após esse primeiro instante congelante seguiram-se momentos de contemplamento. Mas centenas de fotos, bonecos de neve e iglus depois... veio o gelo. É que após a nevasca, período de uns dois ou três dias nevando, a neve vira gelo e, esse, faz todo pedaço de chão ficar escorregadio. Toda hora tem um caindo na rua. Eu mesmo caí cinco vezes em um único dia. Mas, calma, eu explico: um dos meus sapatos tem o solado completamente liso – impossível não andar instável com eles. Tudo bem que me senti completamente tabaréu vendo a neve, mas essa não foi a razão das quedas. A culpa foi mesmo dos sapatos.

Essa primeira nevasca que presenciei caiu em Dublin no início do inverno, período absolutamente incomum para tal ocorrência climática na ilha irlandesa. Já a segunda nevasca começou dia 20 de dezembro, um dia antes de minha viagem. Foi aí que me desintendi com ela, a neve.

Horizonte

Revendo meu amor à neve
Passagens de avião e de trem compradas, estava com minhas férias de Natal prontas. Iria para Barcelona e de lá para Toulose me encontrar com alguns primos meus para passarmos o Natal em uma outra cidade no sul da França. Seria uma oportunidade única de estar com eles em um momento como esse em um lugar como aquele. Seria. Não foi. Meus planos foram por neve abaixo.

Passageiros saindo do avião minutos depois de terem entrado.
Com tudo branco, centenas de aeronaves não puderam decolar

A nevasca ficou mais forte justamente no dia 21 de dezembro, quando iria embarcar para a Espanha. Não se enxergava nada no céu a não ser um paredão branco. O saco de algodão foi rasgado e a cidade ficou inundada de neve. Não se sabia mais o que era asfalto, calçada, grama. A neve tinha chegado a quase 20 cm de profundidade. Evitando atrasos, peguei um táxi ao invés de ônibus para ir ao aeroporto. Ao chegar lá, percebi que alguns vôs estavam atrasados. Até então, nada tão anormal. Mas quando vi que voos estavam sendo cancelados, comecei a ficar preocupado. Check in feito, às 13h da tarde fico sabendo que o aeroporto de Dublin havia sido fechado até às 17h em função do mal tempo. Meu voo seria às 13h55. Aguardei até às 15h quando soube que poderia pegar minha mala e voltar para casa porque o meu voo havia sido cancelado. O que isso significava? Que eu poderia escolher um novo voo para Barcelona, em outro momento, ou pegar meu dinheiro de volta. É claro que pensei: “Sem problemas, pego um voo amanhã, 22, e está tudo certo.” Mas o que a Ryanair (companhia aérea encarregada de me transportar pela Europa) me ofereceu foi simplesmente uma passagem para o dia 30 de dezembro. Isso seria quase 2011! E eu deveria voltar a Dublin no dia 29. Ou seja, fiz o pedido de reembolso e procurei em outras companhias aéreas mas nada achei para antes do Natal. Resultado: sem voos disponíveis, fiquei em Dublin. Com neve por todos os lados e sem o Natal programado.

Por constantes vidros embaçados era possível ver os pedestres andando mais rápidos que os carros. Sobre o gelo, 40km/h é ser imprudente

Cair na neve, tudo bem. Me atrasar pra todos os compromissos, tudo bem. Esperar por quatro horas um ônibus, é... tudo bem, até vai. Mas perder meu Natal, não. A neve acabara de criar uma confusão pesada comigo!

Reconciliação
Dia 24 de dezembro, então, decidi passar a ceia natalina com amigos brasileiros e mexicanos. Antes disso, entretanto, fui dar uma volta com um amigo no centro da cidade para fotografar. Não estava nem um pouco afim de contemplar a neve que ainda caia, mas, sim, acompanhar o movimento pré-Natal. E foi aí que a tal reconciliação aconteceu, graças a um milagre de Natal. Não que eu estivesse triste, mas lamentava não estar com meus primos.

Em torno de 100 pessoas presenciaram a cantoria natalina

Estava caminhando na Grafton Street quando uma aglomeração me fez parar. As atenções de cerca de 100 pessoas estavam voltadas para o cantor Glen Hansard (vencedor do Oscar de melhor canção original pelo filme Once, em 2008, no qual também foi protagonista). Ele tocava, claro, canções natalinas com alguns músicos, o que fez daquele momento já bem interessante. Mas incrível mesmo foi quando Bono Vox se juntou a eles. O cantor da banda irlandesa U2 integrou-se ao círculo de músicos e, sob forte alvoroço do público, cantou canções como "So This Is Christmas" e "One". Entoamos juntos essas e algumas outras músicas: Bono, eu e umas 100 pessoas. Ganhei meu Natal! Inesquecível!!!

Bono soltando o gogó

E eu cheguei a pensar que não iria ver uma apresentação do U2 em Dublin antes de voltar ao Brasil. Bom, ainda não vi o tal show, mas uma capela há dois metros de distância, sem microfone ou efeitos especiais, salvou meu Natal. Não lamento mais não ter viajado. Fiz as pazes com os flocos de neve. Enquanto eles caem, vou ouvindo, sem mágoas, U2 no meu iPod.

video
Um dos melhores vídeos gravados do momento que achei no Youtube

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O sol de Shakira está chegando...

De Dublin, Irlanda

“Loca” na música, “loca” na dança, ela realmente enlouquece o público. Na noite da última quinta-feira, Shakira, a cantora latina de maior visibilidade do mundo pop, da atualidade, levou sua mais nova produção ao palco da Arena O2 da capital irlandesa, Dublin. E se ao lado de fora, a temperatura beirava os zero graus Celsius, o calor interno da casa, lembrava mesmo o do astro rei. Apresentando o disco “Sale el Sol” (“The Sun Comes Out”, na versão em inglês do CD), lançado em outubro, ela provou que seus quadris não mentem ao entoar hits como “Waka Waka” e “Loca”, seu atual single. A seguir, o repertório que a cantora deverá levar a pelo menos três cidades brasileiras no próximo ano.

Do álbum “Pies Descalzos” (1996), Shakira resgata a canção “Pienso em Ti” para abrir seu novo repertório. Ela inicia o show já em contato direto com os fãs andando entre o público em direção a uma passarela, extensão do palco. Ao tirar a camada de roupa que a envolve fazendo-lhe parecer uma rosa, a colombiana, enfim, deixa suas curvas à mostra. E é com “Te Dejo Madrid” e “Whenever, Wherever” que ela começa a esquentar o espetáculo.


Uma parada para um tom romântico se inicia com “Inevitable”, na qual toca violão. “Uma das canções mais especiais que já compus”, confessa. Soltando um clima de paixão ardente no ar, “Despedida” e “Gipsy” são tocadas envoltas por um som acústico fazendo o público delirar com a perfomance à la cigana da cantora com um dos músicos.

“La Tortura” e “Ciega, Sordomuda” fazem os fãs dançarem novamente – guardando, aqui, as devidas proporções de como os europeus reagem timidamente às canções enérgicas. Mas latinos presentes animavam contagiosamente a plateia. E é após esse momento que toques de superprodução começam a tomar o show. O telão de alta resolução se divide ao meio, uma gigante escultura em forma de uma face humana se sobressai e é através dela que os maiores efeitos visuais são projetados. Com a faixa “Sale el Sol” , Shakira sugere que o sol aparece quando menos se pensa, diz a letra da canção.

“Loca”, “She Wolf” e “Ojos Así” são um dos mais quentes blocos do concerto. Mas é no bis, após retornar ao palco, que o ápice acontece com “Hips Don’t Lie” e “Waka Waka”. Antes da canção inspirada na África ser entoada, um vídeo é exibido mostrando crianças do continente dando declarações do que querem para suas vidas. Frases como “quero ser engenheiro”, “quero ir à escola” e simplesmente “quero ser eu mesmo” dão o tom de solidariedade que, afinal, a música propõe ao dizer: “esse é o momento da África”. Ao final do hit, sob chuva de papel picado fluorescente a cantora, então, se despede do público.


“Why Wait”, “Nothing Else Matters” (cover do Metallica), “Underneath Your Clothes”, “Gordita” e “Las de La Intuicion” completam o setlist da turnê, além de “Antes de las Seis” e “Si te vas”, que esporadicamente ficam de fora em algumas apresentações.

Ápice da carreira
Apesar de todas as milimetradas falas e marcações de palco, Shakira consegue dar espontaneidade à sua performance, diferente de cantoras mais engessadas em seus shows como Beyoncé e Rihanna. Aliás, foi seguindo a linha dessas cantoras contemporâneas, que no momento mais pop da carreira, em 2009, Shakira, lançou o “She Wolf”. O disco, inovador em sua linha musical até então, agregou um público diferente à sua carreira, mas afastou os que se identificavam com o som dos álbuns passados. Após experimentar essas batidas, ela voltou a apresentar, embora não completamente, os tons e sotaques que lhe abriram as portas para o mundo: a música latina.

Trazendo consigo os tais raios solares de latinidade, Shakira conseguiu emplacar uma carreira muito bem-sucedida fora do contigente da língua hispânica. Nessa semana, seu álbum completa oito semanas como o mais vendido de música latina e o hit “Loca” lidera o ranking das músicas dance mais tocadas, segundo a Billboard.

Dando continuidade ao que outras já haviam feito (destaque para a cubana Gloria Estefan), a colombiana está embalada pelo recente sucesso de “Waka Waka”, canção oficial da FIFA na última Copa do Mundo. Provavelmente em função disso, seu último disco foi o mais rapidamente produzido de sua carreira. Na turnê atual, ela se apresenta em cerca de 20 países entre América e Europa. Embora as datas para o Brasil ainda não tenham sido confirmadas pelo site oficial da cantora, a imprensa brasileira já divulgou que ela será atração do Pop Music Festival realizado no país em março de 2011. Porto Alegre, dia 13, Brasília dia 16 e São Paulo, dia 19, são as datas até o momento. Um show no Rio de Janeiro está sendo negociado, segundo informações do Portal Ig.


*matéria originalmente publicada em 18.12. 2010 na Tribuna da Bahia
*fotos de Dimas Novais e Cristiano Mota
* texto de Dimas Novais

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Um ensolarado dia qualquer em Dublin... / A any sunny day in Dublin...

...não pode ser considerado qualquer mesmo!
Afinal, essa cidade mistura quatro estações em 24 horas, ensinando que não se pode sair de casa sem casaco, nem sem câmera.
Em um desses dias, fotografei algumas imagens interessantes e incomuns - para meu olhar, ao menos.

Seguem os registros.

See ya!

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...can't even be considered as any!
After all, this city blends four seasons into 24 hours and teaches that you can never leave home without a coat or without a camera.
One of these days, I took some interesting and unusual pictures - to my eyes, at least.

Here are the records.

See ya!







segunda-feira, 4 de outubro de 2010

50 dias intensos!

8 dias estudando para uma prova de inglês; 7 dias com uma querida prima aqui em Dublin; 8 dias de Alemanha (4 deles no Oktoberfest, Munich); além de dias de relaxamento, trabalho e outras coisas mais.

Eis que volto a postar no blog contando algumas novidades.

Passei na prova do inglês, e, enfim, sou upper-intermidiate, o quarto nível entre cinco do curso. Isso signica que estou falando e ouvindo cada vez melhor o idioma, mas, definivamente, longe do que eu quero estar.


Minha atual turma de inglês em visita a National Gallery

Elessandra, uma prima, que todo ano dá umas voltas pela Europa, esse ano, conheceu o clima gostoso (ironicamente falando) da Irlanda. Fomos em vários e interessantes lugares, como o Museu de Arte Moderna (Irish Museum of Modern Art), o Museu de História Nacional (National Museum), a roda-gigante de Dublin (Dublin Wheel), o St Steephens Green Park, o Marrion Square, entre outros. Ela, nos momentos que não pude acompanha-la, rodou a cidade e ainda foi ao condado de Wicklow. Um detalhe que seria relevante é que ela não fala inglês fluente. Mas no caso dela isso não é notório, já que nem por isso ela se acanha em desbravar o mundo! Danada!

Minha prima Elessandra e eu, na Grafton Street

A Alemanha é demais! Incrível! Muito bonita mesmo, a impressão que tive das cidades foram:

-Frankfurt: cidade de negócios, muitos arranha-céus, concentração de sedes de bancos e grandes empresas, vida noturna interessante, muitos museus e charmosos pontos de encontros sociais, como praças e aquela típica antiga arquitetura.

-Munich: ainda mais bonita que Frankfurt, embora eu não tenha conhecido tanto a cidade. Como fui lá com o objetivo de curtir o Oktoberfest, não dediquei tempo nenhum a explorá-la fora os trajetos de transporte entre a festa e o camping onde fiquei.

-Berlin: só conheci o Muro de Berlin, não tive tempo pra mais nada. Ficou um gosto intenso de quero mais!

Tenda Paulaner, no Oktoberfest, em Munich. No centro, uma banda bavaria.

Sobre o trabalho, vai muito bem. Minha comunicação com os clientes irlandeses melhorou muito nas últimas semanas - até no fim das noites, quando estão quase todos bêbados.

Bom, vou dar um pulo em outro Oktoberfest agora, o daqui de Dublin (http://www.oktoberfest-dublin.com)! Depois, comento as diferenças entre o original alemão e esse.

Cheers!

sábado, 14 de agosto de 2010

O ocaso diário não há de ser por acaso

Os céus acumulam luz para lançar um presente, diariamente.
Antes da dádiva, enquanto os raios claream as trilhas, caminho.
Ao findar da fadiga, eis que ele invade frestas.
Horizontalmente é apontada tamanha imensidão seguindo para o Oeste.
Interropendo pingos. Fechando ciclos. Aquecendo promessas.
Para anunciar que a natureza está lá, presente, gigantesca, fabulosa, eis que surge o pôr-do-sol.
Esse, segue a linha dos meus olhos através da janela do meu quarto.
Que sortudo eu sou, o tenho todo santo dia. Um santo presente.
Se tudo for cinzento, mesmo se cores não jorrarem de outras fontes, posso ter certeza de que pinceladas solares se farão visíveis a mim para regenerar.
O ocaso diário não há de ser por acaso.

[Sunset in Sunday, ‎July ‎18, ‎2010. Dublin, Ireland]

*Foto de Dimas Novais

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Dimas Woods ou Tiger Novais?

Estou eu, cá ,voltando a escrever no meu diário de bordo depois de um período off. Algumas intempéries na vida fizeram-me estar longe do blog e me debruçar, quanto a escrever, sobre emoções, pessoas e recordações. Meu avô partiu para um outro nível espiritual e nos deixou com um aperto de saudade imenso. Tornou-se mais um a entrar eternamente na história de vida dos que se enriqueceram ao passar pela mesma estrada que ele em algum instante. Por serem demasiadamente pessoais, recolho minhas linhas sobre isso.

Voltando a descrever minha vida em Dublin, tenho que falar de três curiosos assuntos:

terça-feira, 6 de julho de 2010

“Perdi a ingenuidade”, diz Ana Carolina

Dez meses após realizar apresentação no Festival de Verão Salvador, Ana Carolina retorna à terra para lançar o disco “N9ve” e o DVD “N9ve + 1”, recém-chegado às lojas. O show celebra uma década de carreira e possui ares cinematográficos sob direção e cenografia de Bia Lessa, que dirigiu Maria Bethânia em “Brasileirinho” e no recente “'Amor, Festa e Devoção”.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

St Stephen's Green (1/2)

Também chamado de Faiche Stiabhna, em irlandês, o St Stephen's Green é um parque público do centro da cidade de Dublin, na Irlanda. O parque é adjacente a uma das principais ruas de Dublin, a Grafton Street. Na sua lateral, corre uma das linhas do Luas, um bonde elétrico. São 22 hectares do espaço que até 1663 era simplesmente um pântano, passando por várias mudanças até chegar ao que é hoje.

domingo, 20 de junho de 2010

Aos 63, eis a "toda brejeira, toda faceira", Rita Lee


Ela tem muita história pra contar. Com 40 anos de carreira, Rita Lee lança DVD Multishow Ao Vivo e mostra grandes hits de sua trajetória, além de novas canções que dão o tom de chacota ao trabalho. No repertório, nada de surpresa em sucessos como “Flagra”, “Saúde”, “Mutante”, “Ovelha Negra” e “Agora só falta você” – talvez um desconsolo para os fãs assíduos. Mas no lado das inéditas está “O Bode e a Cabra”, versão hilária de “I Wanna Hold Your Hand”, dos Beatles, em que a letra original some e uma história inusitada com é contada sob arranjos e figurino inspirados no forró, com direito a triângulo e apetrechos a caráter, além de bandeirolas no telão ao fundo. A faixa é um resquício do disco “Aqui, ali, em qualquer lugar” (2001).

“Não provoque”, diz “Cor de rosa choque”, que junto a “Todas as mulheres do mundo” tecem uma homenagem as “mujeres” - num tom feminista rasgado. Com duas backing vocals, As Frenéticas são lembradas na cênica “Vingativa”. As novas “Se Manca” (Rita Lee e Beto Lee), “Tão” (Rita) e “Insônia” (Rita e Roberto de Carvalho) dão um ar ainda mais debochado ao show, mostrando que na atual fase, Rita está ainda mais para espirituosa que romântica. Essa última é uma salsa e brinca com a insônia chamando-a de namorada – daquelas ciumentas.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

World Cup e um estágio de inglês e cervejas

Verde e amarelo andando pelas ruas da capital irlandesa. As cores vestem negros, brancos, morenos, ruivos e orientais. É dia do primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo de 2010 e o que se vê são tantos brasileiros quanto não-brasileiros com a camisa da seleção canarinho Nosso futebol é realmente amado por aqui. E em meio a euforia de início de torneio, eis que me cai do céu um emprego. Sim, agora não preciso mais converter moedas!

domingo, 6 de junho de 2010

Agora é oficial: será um ano no velho mundo!

Autorizado! Carimbo no passaporte e carteira de registro na Garda National Immigration Bureau, agora posso dar um rolé por outros países do Velho Mundo! Nesse momento, estou na Escócia dando uma fuçada nos castelos medievais (esse post foi programado para ir ao ar hoje). Enquanto bato perna por lá, conto aqui um pouco da minha semana: conheci o espaço físico interno da Trinity College, umas das mais famosas universidades irlandesas, e iniciei minha vida de cozinheiro.

Visão interna da Universidade

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Noite de sotaques

Coréia do Sul, Japão, Estados Unidos da América, Irlanda, Itália, Brasil, Egito e até as Ilhas Canárias. Na noite da última sexta-feira, fui a duas festas em Dublin. Ouvi sotaques de vários países e entre as coisas que aprendi é que no último desses se fala espanhol. É, minha ignorância sobre a cultura alheia é maior do que eu imaginava.

domingo, 30 de maio de 2010

As primeiras semanas em Dublin

Duas semanas de vácuo por aqui, hein? Mas estou de volta, agora com laptop próprio, pra contar minhas peripércias. Hoje, completo três semanas em solo irlandês. Ainda estou na fase das primeiras descobertas, mas já estou me acostumando com a cidade, com as pessoas e com o clima. Com esse último, ando mudando meus referenciais. Afinal, aqui ja é verão!!! Um verão com vento frio, com águas praieiras geladas, mas um verão!

Ao lado do Spire, na O'Connell Street.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Olhar de um brasileiro sobre a arquitetura de Dublin

A semana pra mim tem sido de descobertas. A todo momento conheco um habito, uma regra, um estilo de viver diferente. Alguns sao bem esquisitos, outros da ate vontade de incorporar, mas todos, todos sao, ao menos, interessantes. Entretanto, sobre meus primeiros dias aqui falarei no proximo post. Por hora quero mostrar imagens. Como a arquitetura irlandesa e uma das principais diferencas notadas instantaneamente por aqui, vou postar fotografias minhas das ruas, predios e construcoes outras de Dublin. Sao cenarios que me chamaram atencao. Os edificios antigos me remetem aos livros de historia, os mais novos exibem o grau de preocupacao ecologica da populacao ja que a maioria deles aproveita a luz solar ostensivamente.


St Andrews Lutheran Church

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Amsterdam, Dublin... sim, estou na Europa!

Consegui chegar na Europa! E esse "consegui" foi escrito em destaque mesmo. Anos de vislumbramento, meses de planejamento e, enfim, here I am. Apos aguardar quase dois meses em um severo ocio criativo, estou em solo irlandes! Passei sete horas em Sao Paulo e tres em Amsterdam. Do vulcao, nao vi sinal algum. Um a um agora.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Os ensolarados Paralamas



Luminosos como nunca – pelo menos após o acidente que vitimou o front-man Herbert Vianna – os Paralamas do Sucesso chegam a Salvador para apresentar “Brasil Afora”, nova turnê do grupo


terça-feira, 27 de abril de 2010

50 anos de imaginação solta

De uma única tira do Bidu e do Franjinha publicada na Folha da Manhã (atual Folha de S.Paulo), despertava um talento imensurável na arte de se comunicar com as crianças. Era 18 de julho de 1959 e Mauricio de Sousa era um repórter policial.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A maioridade de Zezé e Luciano

Dizem que o tempo é o melhor remédio. E quando o assunto é amor, Zezé Di Camargo e Luciano traduzem esse tempo em música - com 30 milhões de cópias vendidas em dezenas de discos. Este é o mote da campanha de divulgação dos novos CD (dividido em dois volumes) e DVD da dupla que, aos 18 anos de carreira, contabiliza números incríveis de vendas e popularidade no Brasil. “Duas Horas de Sucesso” é o título do novo trabalho, que sugestivamente remete aos tantos hits que compõem a carreira dos irmãos. Em entrevista, o mais velho deles, Zezé, fala sobre um momento difícil, mas que ficou para trás: o de superação. Ao passar por uma fase de incertezas quanto à sua voz, ele continua mostrando o velho e conhecido potencial como cantor aos seus fãs, ou melhor, à sua “torcida”, como ele define. E seguindo o que seu médico recomendou: ele só precisa agora cantar, cantar e cantar.



terça-feira, 13 de abril de 2010

Filmagem do longa de Quincas Berro D´Água é finalizada



Um pai de família que larga tudo e se entrega à vida boêmia da cachaça e da vadiagem. Esse é um daqueles tantos figurões que Jorge Amado retratou diversas vezes e de muitos modos diferentes em suas histórias. Mas o tal “bebum”, pai de família, é Joaquim Soares da Cunha, ou Quincas, personagem do romance “A morte e a morte de Quincas Berro D´Água”, obra publicada em 1961. Quase meio século depois, Quincas ganha (ainda mais) vida numa adaptação do romance para o cinema, sob a direção de Sérgio Machado e protagonizado por Paulo José. Pelas ruelas de Salvador, o filme foi rodado durante quase dois meses, encerrou suas filmagens na madrugada do último domingo e deve chegar às telonas em janeiro de 2010. (previsão atual: maio de 2010)


terça-feira, 6 de abril de 2010

Menos popular, mais enxuta, mas sempre romântica e escrachada


Menos gritaria, mais economia vocal. Menos quantidade de músicas e mais participação de artistas estrangeiros. Mais samba que o de costume, porém, menos canções radiofônicas. Prestes a completar 35 anos, Ana Carolina se enxerga mais madura e lança álbum pseudo cult. Após uma enxurrada de hits que marcaram a lista das canções mais executadas nos últimos 10 anos no país, “N9ve” chega às lojas com uma roupagem de uma artista que se contém em esbravejar que é feita “pro amor da cabeça aos pés” e sem uma promessa de hit arrebatador. Mais cosmopolita, ela continua a falar de seus sentimentos, porém de forma mais branda. Não obstante, os temas de seus versos permanecem os mesmos: a sexualidade, o tom de confissão e o amor escrachado e sem pudor. A seguir, parte da entrevista concedida a Tribuna da Bahia em meio a uma reforma de seu apartamento, no Rio de Janeiro.

quinta-feira, 25 de março de 2010

A queda

No tropeço,
naquele esbarrão com o vidro invisível,
no pulo estabanado ao chão,

No pisão em falso na escada,
no buraco não visto na estrada,
no olhar sem direção.

No caminho torto,
na sôfrega inexperiência,
Na distração latente.

No pensamento aéreo,
na vontade sincera,
no apêgo ao vazio.

- Ao cair, quero que uma rede me segure. E que ela não o faça abruptamente, mas suave e confortavelmente.

Enquanto o rapaz orava fazendo o pedido aos céus, não percebia que as pernas da cama na qual deitava-se estavam bambas.
Frouxas, soltaram-se e fizeram o moço despencar do alto de sua cama.
Bastava ele mesmo observar e fazer o que tinha de ser feito.

- É, mãos e orações precisam estar juntos mesmo. - aprendeu ele.

terça-feira, 23 de março de 2010

Em um mês a aventura começa

Um mês. Daqui a exato um mês vou estar em solo europeu. No próximo dia 23, desembarco em Dublin, capital da Irlanda, para uma aventura. A melhor descrição para o que vou fazer é exatamente essa: uma aventura. Tudo bem, vou participar de um programa de estudos da língua inglesa com a intenção de voltar ao Brasil comendo-a com farinha. Mas ir à um país que conheço pouco - bem pouco mesmo, confesso - é me sentir em uma aventura desde já, numa trip de um pós-adolescente que ainda quer aproveitar bem esse 'sufixo'. Estranho pensar que logo estarei longe da minha família, amigos, faculdade, trabalho; longe do meu quarto, do meu pc, do sofá de casa; longe de pessoas que já estão longe de mim hoje, mas a apenas alguns estados (nacionais) afastados. Mesmo sem vê-los há um, dois, três anos, me conforta saber que não estão tããão distantes assim de meu alcance.

Daqui a um mês não. Tudo estará longe. Só seremos nós: eu e eu. Acho que estarei mais perto de mim que nunca.

Ah, sim, Ele me acompanhará, como sempre o fez tão bem.

E pretendo fazer desse blog, uma narrativa de meu intercâmbio, trazendo percepções visuais, táteis, experimenais, ou, simplesmente, imaginárias. Serão as impressões de um baiano lááááá no Velho Mundo. A 11.000km de onde estou agora.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Capote: densa leveza

Quando o excêntrico jornalista Truman percebe o potencial da história sobre os assassinatos que vitimaram a família Clutter, em Holcomb, Kansas, em 1959, ele se dirige a minúscula cidade e acompanha de perto parte do desenvolvimento do processo que leva a condenação e execução dos criminosos, em 1965. Escreve, então, uma obra de não-ficção chamada A sangue frio e se torna um dos mais aclamados e bem sucedidos escritores norte-americanos da história. Esse é o enredo que permeia o drama Capote, baseado no livro homônimo de Gerald Clarke, um filme sem cenas de destaque e sem aqueles típicos momentos que causam angústia no expectador e que não o deixam piscar. Ele todo é envolvente.

A direção de Bennett Miller lhe rendeu uma indicação ao Oscar de 2006, no ano seguinte à exibição do filme nos cinemas. Além disso, a película teve mais quatro indicações: melhor filme, melhor atriz coadjuvante (Catherine Keener), melhor roteiro adaptado (Dan Futterman) e melhor ator (Philip Seymour Foffman). Esse último arrebatou a única estatueta de Capote, na primeira indicação ao prêmio do ator. Merecido, as encenações de Philip são absurdamente convicentes, seus trejeitos afetados são retratados sem superficialidade alguma.

Locações condizentes com o ar denso do filme, posicionamentos de câmeras que valorizam os ambientes com visões panorâmicas relevantes, a procura pelo descentralizamento dos objetos em proeminência nas cenas e diversas tomadas com foco no segundo plano, mantendo o primeiro plano embaçado, contribuem para a leveza (apesar da força) e beleza do filme. Leveza essa notavelmente bem posta já que o enredo do filme é de uma carga demasiadamente pesada.


Para um filme de orçamento baixíssimo para os padrões hollywoodianos – cerca de US$ 7 milhões, segundo o site adorocinema.com – e rodado em apenas 36 dias, Capote superou expectativas quanto a transposição para o cinema de uma obra literária que marcou época. Bennett Miller realizou surpreendentemente bem a tarefa, mesmo com sua pouca experiência em longas-metragens.

Uma frase dita pelo personagem Capote traduz muito bem o espírito das histórias da vida dele e da sua relação com o assassino Perry Smith: “Parece que eu e Perry crescemos na mesma casa. Ele saiu pela porta dos fundos, e eu, pela da frente.”


FICHA TÉCNICA
Título Original: Capote
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 98 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2005
Site Oficial: www.capoteofilme.com.br
Direção: Bennett Miller
Roteiro: Dan Futterman, baseado em livro de Gerald Clarke
Produção: Caroline Baron, Michael Ohoven e William Vince
Música: Mychael Danna
Fotografia: Adam Kimmel
Desenho de Produção: Jess Gonchor
Figurino: Kasia Walicka-Maimone
Edição: Christopher Tellefsen
Elenco: Philip Seymour Hoffman (Truman Capote), Catherine Keener (Harper Lee), Clifton Collins Jr. (Perry Smith), Chris Cooper (Alvin Dewey), Bruce Greenwood (Jack Dunphy), Bob Balaban (William Shawn).


*fotos de divulgação
* texto de Dimas Novais

terça-feira, 16 de março de 2010

Cordeiro troca a farda pelo abadá e cai na muvuca

Era segunda-feira, o quinto dia de trabalho como cordeiro de Edson Cardoso Lopes. Mesmo com pouca idade – 20 anos – este é o quarto Carnaval no qual exerce a função. Após chegar à concentração do bloco Papa, comandado por Claudia Leitte, na Barra, por volta das 10h, ele teve de aguardar até as 15h a saída da agremiação.

E lá estava Edson na avenida recomeçando o trabalho de proteção aos associados, o que lhe renderia R$ 28 (a diária) e mais R$ 2 para o transporte. Desempregado, o jovem admite que não teria condições de sair em bloco, mas ganhou um abadá, cedido pelo bloco a pedido de A TARDE, quando estava começando o serviço. O dia de trabalho, então, virou de puro prazer. Desconfiado, mas com um sorriso no rosto, ele trocou a farda pela roupa da folia e caiu na farra.

No início do percurso, o cordeiro-folião revela que havia saído apenas uma vez em bloco, no Polimania, há quatro anos, quando ganhou um abadá. Mas, desta vez, enquanto curtia a festa no Papa, recebia olhares de espanto dos cordeiros que o conheciam. Nada que o incomodasse. “Posso tomar uma gelada?”, pergunta com um ar acanhado. “Claro que sim” é a resposta. Com o abadá, ele tem os mesmos direitos que os outros quatro mil foliões. “É que os cordeiros não podem beber, os coordenadores não permitem”, Edson explica. Mesmo assim, é visível, a ordem não é respeitada. “Se não beber fica chato. Tem que beber e pular também”.

Dívidas
Já perto do Cristo, ele, que cursa o terceiro ano do ensino médio, conta que a grana adquirida com o serviço prestado nos seis dias de Carnaval lhe servirá para pagar dívidas. “É um trabalho muito duro. A gente é humilhado toda hora pela galera do bloco. Se não fosse pelas dívidas não sei se viria este ano. Mas tem gente aqui que precisa mesmo de cada real desse”, reflete consciente.

Quando avista um grupo de Filhos de Gandhy colado na corda do bloco, Edson se admira com a facilidade com que eles atraem as garotas. “Gandhy é uma onda, né? Outro dia, um botou uma mulher na cintura e tudo”, fala dando risada. Riso maior ele solta ao saber que R$ 250 era o valor da camisa que usava.

“Só um abadá? Um só? Meu Deus, com um salário mínimo não dá pra estar aqui não”, salienta olhando para sua preciosa roupa.

De barão
Sua irmã estava também no Papa trabalhando como cordeira. Ao avistá-lo, ela fala: “Tá de barão, né?”. Em seguida, Edson observa que não havia outro negro naquele espaço, com abadá, que não fosse ele. “Aliás, tem um ali, só ele também,” diz. Ele, que tem namorada, passou o percurso curtindo e bebendo pouco, sem se insinuar para as mulheres do bloco. Edson parecia mais espectador da festa que participante.

Quando um cordeiro o empurra para dar espaço à passagem do carro de apoio, Edson olha para trás e sorri: “Hoje tô longe disso! Por que você não faz isso todo dia, hein?”.


Realidade
E como alegria de gente humilde dura pouco, nesse caso – cerca de cinco horas –, na terça-feira era dia de terminar mais uma temporada de trabalho no Carnaval.

Mas as recordações de estar, sem trabalhar, entre as cordas de um bloco acima de suas possibilidades financeiras reais durarão.

Percurso findo, é hora de voltar à realidade e se preparar para voltar ao trabalho no dia seguinte. Inebriado pela alegria, o cordeiro-folião se despede com um sorriso.



PRIMEIRA TENTATIVA FOI MALSUCEDIDA - A primeira tentativa para realizar a reportagem foi no bloco Agito Universitário, com o Parangolé. Mas não foi possível devido a desencontros com a assessoria da agremiação

REGALIA ASSUSTA CORDEIRO DO OLODUM - O Olodum cedeu o abadá na segunda tentativa de levar um cordeiro para curtir seu dia de folião. Mas, desconfiado da regalia, Josemar Souza preferiu não perder a diária de cordeiro


*matéria originalmente publicada em 18.11. 2010 em A Tarde
*fotos de Walter de Carvalho / Ag. A TARDE
* texto de Dimas Novais

terça-feira, 9 de março de 2010

Haverá sóis mais brilhantes?

Haverá sóis mais brilhantes?
Céus tão ou mais azuis?
Certo de que o limite da dúvida é o infinito, mantenho meus olhos acesos e radiantes.
Não, a chuva não os tornará opacos.

Siigo sempre com a ânsia de ultrapassar o horizonte, como um menino que pula o muro do vizinho. Estará ele certo? Para a infância, sim. Para o vizinho, já esquecido de sua longínqua fase de meninice, não.

Como saber o que há por trás da linha mais distante que se pode ver?
Não sei, apenas sigo.
Ondas surgirão, balançarão e, traiçoeiramente, empurrarão tudo para todos os lados.
Mas vejo o nascer desse sol concreto! E o seu até logo!? Como não ter forças diante de tão incrível espetáculo?
Uma coisa digo com exatidão: haverá mais sóis para aquele que anda do que na inércia do que fica.

Corro! Corro! Os sóis não vão me esperar para brilhar.


sexta-feira, 5 de março de 2010

O homem do Rio Vermelho ri das intempéries da vida

Em um estúdio próprio no Rio Vermelho o músico Márcio Mello compõe, grava, produz, mixa, masteriza, faz quase tudo. Adaptado a nova realidade da indústria fonográfica, o baiano que esteve mais de uma vez a um passo do estrelato diz não sonhar mais com o sucesso nacional. Aos 42 anos ele lança a produção independente “Solitário Punk”, seu oitavo disco, e afirma só se arrepender de uma coisa na vida: não ter ido aos 21 anos para Nova York quando tinha o visto de entrada nos EUA – hoje em dia, ele não consegue visitar o país. Mas o novo álbum está saindo do forno e nada de reclamação. Para ele, o momento é de celebração.

Solitário Punk será vendido a partir da primeira quinzena de dezembro ao preço popular de R$5 somente para que Márcio tire os custos da produção. Enquanto isso, o produto já está disponível para download no site oficial do artista. Em breve, os sete discos anteriores também serão colocados lá. E sobre a disseminação (não necessariamente comercialização) de músicas pela internet, ele acredita ser esse o mercado a ser explorado pelas gravadoras, mas só a partir do momento em que elas entenderem como funciona todo o processo. “Acho que as gravadoras só não avançaram muito no mercado da internet porque elas não têm propriedade pra mexer com isso. É como uma juíza falar de maconha sem nunca ter fumado, ela não tem propriedade pra falar disso. Mas ela não pode fumar, é proibido.” Apesar disso, ele não reclama, parece ter se adaptado bem a nova realidade fonográfica: “o mercado virou pra isso e é nisso aí que gosto de viver.”

No cenário imposto pela pirataria, os compositores são alguns dos prejudicados, já que, falidas, as gravadoras e também os artistas independentes não têm mais recursos para investir alto, o que inclui a diminuição dos valores pagos nos direitos autorais das músicas. Márcio Mello conta um episódio que ilustra bem essa questão. Em viagem pela França, ele ouviu em um bar “Tonelada de Amor”, canção de sua autoria gravada por Daniela Mercury, em uma releitura feita por uma banda de forró. Espantado, fuçou na casa e soube que o grupo era da cidade de Caraíva, sul baiano. Depois, descobriu que a banda chegou a procurar sua produção e oferecer R$1500 pelo direito de gravar a faixa. Contudo, a produtora não quis aceitar o valor por achar que ele era muito baixo para uma tiragem inicial de 10 mil cópias do disco. “Por que não aceitou se era o que eles tinham pra pagar? Eles não vão pagar nunca, então. Como é que você vai cobrar o que eles não têm?”, questionou o cantor. “Se o cara virar um sucesso, fenômeno, e isso parar numa grande empresa você ainda pode cobrar diante daquilo. Foi assim com Moinho. Eles gravaram e eu não recebi nada, mas aí a música entrou na novela e estourou de verdade, aconteceu.” Nesse caso, ele recebeu direitos da TV Globo e da EMI.

Márcio 3

Punk rocker

“Onde canto ‘Tonelada de Amor’ e ‘Mulher de 23’ todo mundo canta e essas músicas não estouraram com ninguém. É uma loucura. Às vezes alguém da cidade ou do bairro gravou e todo mundo conheceu assim”, tenta explicar Márcio. “Às vezes tem um cara que não faz sucesso na cidade, mas que é estourado em Pernambués, em algum bairro. Eu mesmo durante muito tempo fui o homem do Rio Vermelho e na Pituba (onde mora) ninguém sabia quem eu era. Eu era o cara que tocava e lotava o Rio Vermelho”, recorda com orgulho. E hoje, que lugar o punk rocker ocupa? “Hoje ficou um pouquinho maior, já tô dominando outros bairros”, diz modestamente.

Ele conta que já teve a ilusão e a vontade de ser um artista nacional. Acredita que pode até vir a ser ainda, mas afirma não ter mais essa pretensão. “Acho que o bacana é você estar na sua turma e funcionar bem ali”. Ele, que já fez parte de uma banda (a Rabo de Saia), diz que essa foi uma época incrível, mas passou. “Foi massa, maravilhoso, mas banda tem uma idade, né velho? Ou é de adolescente, quando você tem o sonho de virar sucesso, ou você já fica um cara mais velho e faz a banda por curtição. Se da curtição virar sucesso tudo bem, mas não é a onda. Quando você transita naquela idade de 30 a 40 anos, não dá pra você começar uma banda, você já tá em outra vibe.”

De acordo com ele, fazer parte de uma banda é fruto mesmo dos anseios juvenis. “O cara quer tocar porque quer comer a menina da escola, porque quer tocar pra galerinha dele e quem faz o público são as amigas da namorada. Quando perde isso, não faz mais sentido, fica chato, burocrático. Você não tem mais a disponibilidade de enfrentar uma São Paulo, de durmir no chão. Você já é adulto e quem banca uma banda são os pais, uma avó. Toda banda tem uma vó”, brinca.

Teve parceria na solitária produção

A diferença mais evidente de Solitário Punk em relação aos álbuns anteriores, segundo Márcio, é a maturidade conquistada. Não que as músicas sejam mais maduras que as gravadas anteriormente – e definitivamente não são. A evolução descrita foi na consciência em ser uma voz e ter um discurso. Apesar disso, ele se redescobriu adolescente e teve que ser assim na escolha das músicas. “Tô mais preocupado com a letra. Não na qualidade dela, mas em dizer mais mesmo que seja besteira e meus discos têm sempre letras pequenininhas porque eu tenho dificuldade de gravar.” Faltando uma semana e um dia para o show de lançamento do álbum ele ainda decorava as faixas.

“Meu show é muito louco, é autoral, não toco cover. É muito difícil um artista ser alternativo, fazer um disco, um show autoral e estar na mídia.” E o termômetro para inserir as canções no disco é sempre o público. O que soa melhor nos shows entra no registro. Além da faixa-título, compõem o repertório do registro “Na boca e no peito”, “O sol esquentou minha cabeça”, “Você não sai da minha cabeça”, “Gostar de mim”, “Isso me doía”, “Tantas coisas”, “Dona de mim”, além de “Esnoba”, hit que alavancou a carreira da banda Moinho e “Mulher de 23”, regravação que contou com a participação de Chorão, do Charlie Brown Jr.

Márcio 4

A ideia do disco ainda estava no rascunho quando durante um passeio entre os amigos Márcio Mello e Chorão a Praia do Forte, o baiano mostrou algumas músicas feitas para o CD e falou para ele botar a voz na faixa “Mulher de 23”. “Ele se amarra na música.” Mas Chorão ia viajar naquela mesma noite. Ia. A viagem foi adiada para o dia seguinte e na casa de Márcio mesmo, no armário mais especificamente, a canção foi gravada. “Não tinha como levar ele pra o estúdio, tinha que ser naquele momento ali. E ficou massa. Fiz a música no beat que ele cantou e não o contrário, não tinha base feita. Fiz a música em cima daquilo ali mesmo porque não queria perder aquele momento, aquela espontaneidade, o grande barato de uma participação. O cara passa e deixa alguma merda no meu disco, assim é que é bom. Foi uma das melhores coisas que fiz na carreira em participação.” E assim como o CD, o DVD, filmado na Europa, será vendido em dois meses sem grandes pretensões. Um livro também vem aí, talvez ainda este ano.

Fazer música prazerosa e descompromissadamente parece ser o “grande barato” do bon-vivant Márcio. E não simplesmente porque ele quis assim, mas porque a vida o fez assim. Quando tudo estava certo para ele abrir shows de Cássia Eller (no auge da carreira) e a cantora gravar algumas músicas suas, ela morreu. Quando o renomado produtor Tom Capone iria lhe dar espaço em uma grande gravadora, ele sofreu um acidente de motocicleta e se foi. “É, tem gente que pega a senha nº 10 e fica de cara pra o sucesso. Eu acho que peguei a nº 1 ou a zero”, diz Márcio dando risada das intempéries da vida.

Ouça e veja Márcio Mello


*matéria originalmente publicada em 18.11. 2009 na Lupa Digital
*fotos de divulgação
* texto de Dimas Novais

terça-feira, 2 de março de 2010

Festival de Verão Salvador 2010

Após um breve período de férias, volto para postar fotos que tirei dos artistas no palco principal do Festival de Verão Salvador 2010, entre os dias 20 e 23 de janeiro.

O senegalês chamando a mulher de *+#! e ela quase chorando por ele
(Akon)


Coração Vagabundo
(Caetano Veloso)


Leo pergunta: - Tá sentindo o quê, Victor?
(Victor & Leo)


Tudo certo na Bahia
(Banda Eva)


Ela em "Olha pro céu, meu amor"
e não repare na enconxada de Akon em mim
(Claudia Leitte)


Olha o balaio!
(Psirico)


Fúria no canto. No rap, digo.
(Marcelo D2)


Extrato
(Tomate)


Decorada de passista
(Claudia Leitte)


Psicodélico
(Marcelo D2)


Chateado, Herbert?
(Paralamas do Sucesso)


Canibalistas antropofágicos. Ahn?
(Daniela Mercury e Carlinhos Brown)


Axé vestido de grunge
(Tomate)


*fotos de Dimas Novais exclusivas para o Cenas Por Grama