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terça-feira, 13 de abril de 2010

Filmagem do longa de Quincas Berro D´Água é finalizada



Um pai de família que larga tudo e se entrega à vida boêmia da cachaça e da vadiagem. Esse é um daqueles tantos figurões que Jorge Amado retratou diversas vezes e de muitos modos diferentes em suas histórias. Mas o tal “bebum”, pai de família, é Joaquim Soares da Cunha, ou Quincas, personagem do romance “A morte e a morte de Quincas Berro D´Água”, obra publicada em 1961. Quase meio século depois, Quincas ganha (ainda mais) vida numa adaptação do romance para o cinema, sob a direção de Sérgio Machado e protagonizado por Paulo José. Pelas ruelas de Salvador, o filme foi rodado durante quase dois meses, encerrou suas filmagens na madrugada do último domingo e deve chegar às telonas em janeiro de 2010. (previsão atual: maio de 2010)


sexta-feira, 19 de março de 2010

Capote: densa leveza

Quando o excêntrico jornalista Truman percebe o potencial da história sobre os assassinatos que vitimaram a família Clutter, em Holcomb, Kansas, em 1959, ele se dirige a minúscula cidade e acompanha de perto parte do desenvolvimento do processo que leva a condenação e execução dos criminosos, em 1965. Escreve, então, uma obra de não-ficção chamada A sangue frio e se torna um dos mais aclamados e bem sucedidos escritores norte-americanos da história. Esse é o enredo que permeia o drama Capote, baseado no livro homônimo de Gerald Clarke, um filme sem cenas de destaque e sem aqueles típicos momentos que causam angústia no expectador e que não o deixam piscar. Ele todo é envolvente.

A direção de Bennett Miller lhe rendeu uma indicação ao Oscar de 2006, no ano seguinte à exibição do filme nos cinemas. Além disso, a película teve mais quatro indicações: melhor filme, melhor atriz coadjuvante (Catherine Keener), melhor roteiro adaptado (Dan Futterman) e melhor ator (Philip Seymour Foffman). Esse último arrebatou a única estatueta de Capote, na primeira indicação ao prêmio do ator. Merecido, as encenações de Philip são absurdamente convicentes, seus trejeitos afetados são retratados sem superficialidade alguma.

Locações condizentes com o ar denso do filme, posicionamentos de câmeras que valorizam os ambientes com visões panorâmicas relevantes, a procura pelo descentralizamento dos objetos em proeminência nas cenas e diversas tomadas com foco no segundo plano, mantendo o primeiro plano embaçado, contribuem para a leveza (apesar da força) e beleza do filme. Leveza essa notavelmente bem posta já que o enredo do filme é de uma carga demasiadamente pesada.


Para um filme de orçamento baixíssimo para os padrões hollywoodianos – cerca de US$ 7 milhões, segundo o site adorocinema.com – e rodado em apenas 36 dias, Capote superou expectativas quanto a transposição para o cinema de uma obra literária que marcou época. Bennett Miller realizou surpreendentemente bem a tarefa, mesmo com sua pouca experiência em longas-metragens.

Uma frase dita pelo personagem Capote traduz muito bem o espírito das histórias da vida dele e da sua relação com o assassino Perry Smith: “Parece que eu e Perry crescemos na mesma casa. Ele saiu pela porta dos fundos, e eu, pela da frente.”


FICHA TÉCNICA
Título Original: Capote
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 98 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2005
Site Oficial: www.capoteofilme.com.br
Direção: Bennett Miller
Roteiro: Dan Futterman, baseado em livro de Gerald Clarke
Produção: Caroline Baron, Michael Ohoven e William Vince
Música: Mychael Danna
Fotografia: Adam Kimmel
Desenho de Produção: Jess Gonchor
Figurino: Kasia Walicka-Maimone
Edição: Christopher Tellefsen
Elenco: Philip Seymour Hoffman (Truman Capote), Catherine Keener (Harper Lee), Clifton Collins Jr. (Perry Smith), Chris Cooper (Alvin Dewey), Bruce Greenwood (Jack Dunphy), Bob Balaban (William Shawn).


*fotos de divulgação
* texto de Dimas Novais

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

"O Menino da Porteira" 33 anos mais novo

A paixão pela música e pela vida no campo são os fatores que ligam intimamente o cantor Daniel com Diogo, personagem que interpreta em “O menino da Porteira”, filme que estreou, ontem (6 de março de 2009), em circuito nacional. Para contar sobre a primeira experiência como protagonista, Daniel veio à Salvador, na última quinta-feira, participar de uma coletiva de imprensa e, logo após, fazer um show na Costa do Sauípe. Além dele, o diretor Jeremias Moreira e a atriz Jacy Ferreira, que interpretou Filoca na versão original da obra, estiveram presentes.

Em 1976, a primeira filmagem de “O Menino da Porteira” foi realizada e, apesar das limitações tecnológicas, estruturais e financeiras, que nortearam a produção, mais de quatro milhões de espectadores assistiram-no nos cinemas brasileiros, tornando a película um sucesso de bilheteria. Mais de 30 anos depois, Jeremias Moreira e Moracy do Val voltaram a se encontrar para assumir a direção e a produção, respectivamente, da refilmagem da obra. Desta vez, o cantor Sérgio Reis cedeu o papel de Diogo, o protagonista do filme, a um ícone da música romântica sertaneja mais recente, Daniel. Além disso, estão presentes no longa-metragem José de Abreu, que vive o Major Batista, Vanessa Giácomo, que interpreta Juliana, e Rosi Campos, a Filoca.

Para não simplesmente repetir o que foi registrado em 76, Moreira incorporou outros elementos e contou com uma parafernália técnica impensável três décadas atrás. “Todas as mudanças foram intencionais. E naquela época ainda era muito mais difícil fazer cinema”. A indústria cinematográfica brasileira também evoluiu. A primeira película foi gravada com uma equipe de nove pessoas e o equivalente a cerca de R$300 mil como recursos, enquanto a regravação contou com 84 profissionais envolvidos em produção e captou aproximadamente R$7 milhões.

“A espinha dorsal do roteiro é a mesma, mas a gente cortou diálogos que contavam a história. Acho que cinema é imagem”, contou Moreira, que enriqueceu a participação infantil no filme e o envolvimento amoroso entre os personagens principais, Diogo e Juliana – estratégias muito utilizadas para criar empatia com o público. “Quando se faz um filme não dá para ficar na porta do cinema falando: queria fazer daquele jeito, mas não consegui. Não tem desculpas. Mas estou satisfeito,“ afirmou.


O cantor, o protagonista
A escolha de Daniel como protagonista nasceu de uma experiência anterior entre ambos na gravação de um vídeo comercial. “Percebi que ali havia um ator nato. Ele é disciplinado e dedicado. Às vezes até demais, chegando a incomodar a gente”, comentou Moreira, entre risos. Os dois únicos papéis que o cantor tinha interpretado foram pontas nas produções infantis “Xuxa Requebra” (1999) e “Didi, o Cupido Trapalhão” (2003). Nestes filmes, a exigência para atuar foi pequena, já que a proposta deles não é de serem grandes obras do gênero, muito menos da cinematografia brasileira. Mas no caso de um filme voltado para adultos, como “O Menino da Porteira”, isso muda. E como muda.

Daniel revelou que enxerga uma grande evolução em sua atuação de lá pra cá. Amadurecimento proporcionado por, entre outros fatores, a participação por 20 dias em um laboratório de preparação de elenco. Além disso, a estrutura, literalmente ao seu redor, o ambiente do campo, que lhe é natural, e até a música que nomeia o filme, e que ele interpreta, foram agentes facilitadores de sua adaptação. “É muito complicado. Tem que vestir a camisa, acreditar em si e saber que críticas virão. Vão surgir comparações. É normal isso. Mas foi um desafio”, admitiu Daniel, contando, também, que não existe pretensão de seguir exclusivamente a dramaturgia, “mas se receber um convite, por que não?”, já que para ele “o ‘não’ não existe.” Em relação à atuação de Daniel, o diretor foi só elogios: “Ele foi muito bem (...) “Não gosto dos outros filmes (que Daniel participou), mas acho que esteve bem neles”.

Expectativas
Aconselhado por Moreira, o elenco não assistiu a versão original do filme para evitar vícios de interpretação, já que sua intenção foi a de recriar a obra. “Esse filme é mais dinâmico, não tem muita barriga, você não tem muito tempo para pensar”, contou Daniel, que, em breve, reviverá mais um personagem de Sérgio Reis, mas desta vez nas telas de TV. Sob direção de Benedito Ruy Barbosa, a próxima novela das 18h, remake de Paraíso (1982), terá o cantor, e agora também ator, interpretando Zé Camilo, mais uma vez, um boiadeiro. “Entrei nos 45 do segundo tempo na novela, graças a minha atuação em ‘O Menino da Porteira’ à convite do próprio Benedito”, explicou.

Um dia antes da coletiva na capital baiana, houve a reinauguração do Cine São José, na cidade de Brotas interior de São Paulo, terra natal do cantor. Ele comprou o espaço, que há 20 anos estava desativado, foi o responsável pela reforma e reabriu o cinema exatamente na pré-estreia de “O menino da Porteira”, quando contou com presenças de amigos do meio artístico, como Xuxa, a dupla Guilherme e Santiago, Alexandre Pires e Sérgio Reis. Segundo Daniel, sua intenção não é lucrar com o empreendimento, mas sim torná-lo um centro cultural para a cidade.

Questionado sobre as expectativas em relação a recepção da platéia do filme, Moreira afirmou que a produção tem todos os elementos para fazer sucesso, mas se o potencial vai se converter em triunfo não dá para prever. O filme possui um ar interiorano muito semelhante ao que permeia “Dois filhos de Francisco”, 5º filme brasileiro de maior bilheteria entre 1970 e 2006, segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine), instituição vinculada ao Ministério da Cultura. Se o clima caipira vai novamente contagiar o país, só os números poderão afirmar a partir do público presente nas 270 salas de exibição espalhadas pelo Brasil. Daqui há algumas semanas, poderemos conferir se, após 33 anos, “O Menino” cresceu em bilheteria.


*matéria originalmente publicada em 07.03. 2009 na Tribuna da Bahia
*fotos e texto de Dimas Novais

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Área Q: ufologia e ficção

O longa nacional, em co-produção com os EUA, “Área Q” encerrou as filmagens no sertão do Ceará e parte para negociação de exibição mundial. Com o ator hollywodiano Isaiah Washington no elenco, além de Murilo Rosa e Tânia Kalil, o filme deve chegar aos cinemas brasileiros no primeiro semestre de 2010


No Brasil, mais precisamente nas cidades cearenses de Quixadá e Quixeramobim, fatos estranhos começam a acontecer e Thomas Mathews percebe que isso pode ter ligação com o desaparecimento de Peter, seu filho. Supostas abduções e relatos sobre o aparecimento de ovnis (objetos não identificados) fazem com que o cético jornalista venha ao país e comece a entender muito mais do que procurava.

Essa é a trama que envolve o longa “Área Q”, que finalizou suas filmagens nas últimas semanas. Entre os que atuam no filme, uma co-produção Brasil/EUA, estão Murilo Rosa, Tânia Kalil e o norte-americano Isaiah Washington, conhecido pelo papel do doutor Preston Burke na série Grey's Anatomy. O diretor Gerson Sanginitto e o produtor Halder Gomes (que trabalharam juntos em “Beyond the Ring” e “The Morgue” - “Cadáveres 2”, no Brasil) conversaram com a Tribuna da Bahia sobre a película.


“Essa é uma historia que eu sempre quis contar. O E.T do Spielberg foi o filme que me fez querer trabalhar com cinema, então, eu sempre tive muita vontade de dirigir um longa que envolvesse elementos de ficcão científica,” conta Sanginitto. Ele admite, entretanto, que encontrou dificuldades nas gravações no interior cearense. Entre elas, a maior foi filmar no sertão em locações remotas e sem estrutura. “E, claro, embaixo daquele sol que não dá sede de jeito nenhum”, brinca. “Fizemos um filme muito complexo em logística,” concorda Gomes. “O maior desafio foi o tempo recorde do projeto e o curto período de pré-producao (duas semanas) e filmagens (quatro semanas)”, completa.

Segundo Halder Gomes, este projeto aconteceu em tempo recorde na producão cinematográfica brasileira. “Em março (deste ano) estive em Los Angeles para desenvolver outro projeto com o Gerson. Na conversa, sugeri que virassemos a mesa e criassemos uma nova história e roteiro que tivesse locação no Ceará e em Los Angeles”, explica. Entre setembro e novembro as filmagens foram concluídas. A ideia do roteiro surgiu pelo fato da região cearense ser referência em pesquisas nacionais e internacionais sobre casos ufológicos. A partir disso, também chegaram ao nome da película: “Área Q” – alusão aos munícipios de Quixadá e Quixeramobim, além de Aquiraz.

Ceará no foco
Na trama de Área Q não há linearidade, comeca em 1979, dá um pulo para 2010, volta para 2009 e termina em 2011. O flme de ficção científica/drama “Área Q” é a primeira co-produção Ceará-Hollywood (Reef Pictures, ATC Entretenimentos, Estação Luz Filmes e Boa Vontade Filmes). Os efeitos visuais são do cearense Marcio Ramos ("Vida Maria"). Mas Halder Gomes avisa: “estamos falando de um filme de atuações em primeiro lugar, porém os efeitos (em computação gráfica e de cena) serão ferramentas para fortalecer a historia.” Entre os atores brasileiros no elenco estão Murilo Rosa e Tânia Khalil, além de um casting cearense.

Amigo antigo do diretor, Murilo Rosa foi convidado por ele a fazer três papéis no filme – que não são três personagens distintos. O diretor explica: “o primeiro é João Batista, um homem do campo, simples, que desaparece em 1979. O segundo é o João B. que reaparece na trama 30 anos depois e se apresenta como um “alienígena”, um “ser inteligente”. E o terceiro personagem é o João B. Junior.” O ator, por sua vez, intermediou a contratação de Tânia Khalil, que contracenava com ele em “Caminho das Índias”. Ela interpreta Valquíria, uma repórter que funciona como um contra-peso para o Thomas. “Ela se torna a voz da razão quando o Thomas começa a se deixar envolver pelos acontecimentos estranhos que estão acontecendo na regiao,” explica.

No desenrolar da trama, Thomas se envolve com a jornalista Valquiria que tenta trazê-lo de volta para a realidade, pois percebe que ele está se deixando levar pelas histórias e crendices da região. O arco do personagem se completa quando encontra João Batista na figura do “ser inteligente” e revela o que aconteceu com seu filho Peter e a nova missao que tem que seguir.

Halder conta que há muito tempo tem lutado para provar a investidores internacionais que o Ceará está preparado para atrair produções estrangeiras. “Seremos a ‘Califórnia’ do Brasil em breve. Área Q representa a concretização da causa de promover o Estado através do cinema e fomentar a indústria regional.” Outros projetos ja estão sendo agendados. A previsão de lançamento do filme é o primeiro semestre de 2010. Além do Brasil, salas de exibição de outros países devem receber o filme. As negociações para isso já estão sendo feitas.

*matéria originalmente publicada em 14.12. 2009 na Tribuna da Bahia
*fotos de divulgação e texto de Dimas Novais

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Jornada épica marca revolução no cinema

Após 15 anos de idealização de James Cameron, o diretor de Titanic, Avatar chega as telonas amanhã. Com alta tecnologia desenvolvida especialmente para a produção, o filme deve marcar o desenvolvimento de ponta da animação em cinema


A ganância do homem por riqueza - tão antiga quanto a própria humanidade – versus o amor ao próximo, a natureza e aos direitos alheios. Esse é o principal eixo das tramas cinematográficas hollywoodianas. O antagonismo entre o bem e o mal, afinal, rege o mundo. Mas atrelar isso a um enredo de aventura espacial, com imagens espetaculares concebidas através de efeitos visuais de ponta pode ser o grande diferencial – mas, claro, não garante o sucesso de um filme. Pois bem, é exatamente isso que torna o longa Avatar arrebatador: uma revolução em imagem nas telonas e um enredo épico onde a natureza tem lugar de destaque. Com direção, roteiro, produção e edição de James Cameron (“Alien”, “Exterminador do Futuro” e “Titanic”), a tão aguardada película estreia mundialmente amanhã.

Foram 15 anos de idealização e quatro de produção. Quando Cameron começou a escrever os primeiros rabiscos da saga, não havia tecnologia suficiente para que aquilo pudesse ganhar as telonas. Algum problema para o diretor? Nenhum. A equipe dele junto aos animadores da WETA Digital (vencedora de Oscar por efeitos visuais) criaram a aparelhagem necessária para tornar real a fantasia. Estima-se que tenham sidos gastos na superprodução cerca de U$240 milhões e mais U$260 milhões no emprego de novas tecnologias, marketing e pós-produção – o maior orçamento da história da 7ª arte. Resultado: James Cameron, vencedor de mais de uma dezena de estatuetas do Oscar, declarou ser este o filme mais desafiador que já fez.

Com o objetivo de manter aparências semelhantes aos dos atores, mas sem querer que eles atuassem com maquiagens, Cameron utilizou o método de captura de performance em que as limitações das próteses, por exemplo, são superadas. A computação gráfica se encarregou de criar efeitos como o alargamento do diâmetro e afastamento dos olhos, o afilamento dos corpos, deixando-os com pescoço mais longo, estruturas muscular e óssea diferentes, mãos com têm três dedos, além de uma pele azul translúcida. Através dessas nuances altamente refinadas, a vivacidade dos personagens se tornou única, inédita, com expressões faciais e corporais bem mais reais que os filmes produzidos até esta data.

Além da magnitude na qualidade das imagens, a essência da história valoriza a natureza não só em cores e na diversidade de plantas e animais fantásticos, mas na crença de um povo unido a ela intimamente. O ano é 2154 e Jake Sully (Sam Worthington) é um ex-fuzileiro naval que, sobre uma cadeira de rodas, vai cumprir uma missão no planeta Pandora de ajudar a desvendar os segredos de um povo chamado Na´vi, a 4,4 anos-luz da Terra. Mas o ar desse lugar é tóxico e o Programa Avatar é criado para que os humanos sobrevivam nessa terra em avatares, corpos que mesclam o DNA humano com o DNA dos nativos. É assim que Jake se infiltra no clã daqueles que vivem sobre um reservatório do valioso minério unobtanium.

Ao compreender e se sensibilizar com o modo peculiar de vida do povo, tornando-se um deles, Jake ainda se apaixona por uma Na´vi e tem os sentimentos transformados, voltando-se contra os planos de destruição do habitat extra-terrestre. Assim, ele tenta evitar um conflito entre civilizações que pode destruir um mundo inteiro. Fazem parte do elenco também Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Stephen Lang e Michelle Rodriguez.

Estratégias de marketing e o desenvolvimento a sete chaves da trama criaram um alarde no público maníaco por ficção, computação gráfica e efeitos especiais, enfim, nos fãs de tecnologia. O ponto positivo é que a bilheteria deve responder muito bem a isso, porém, o ponto negativo é que grandes expectativas podem gerar grandes frustrações. Suposições à parte, fato mesmo é que uma herança tecnológica será deixada. E Cameron já avisou, a depender da repercussão da película, ele se compromete em fazer duas continuações.


*matéria originalmente publicada em 17.12. 2009 na Tribuna da Bahia
*fotos de divulgação

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Wolverine, agora protagonista de sua própria saga

Forças descomunais. Habilidades extra-humanas. Uma suposta evolução do homem. Essas características tornaram famosos diversos personagens super-poderosos da série X-Men, desenho animado que povoa a imaginação de uma legião de fãs, desde quando a primeira revista com a história, “The X-Men #1”, teve sua primeira edição publicada em 1963. Entre os personagens da saga que ganhou a TV e o cinema, Wolverine sempre foi o queridinho da Marvel Comics, editora norte-americana de desenhos em quadrinhos. No entanto, apesar da popularidade, seu passado demorou a ser revelado – três longas da série já estrearam e nada da vida pessoal do cara ser desvendada. Mas amanhã (oficialmente) esse mistério acaba. No feriado de 1º de maio, chega em mais de 500 salas de cinema do Brasil um dos longa-metragens mais esperados do ano: “X-Men Origens: Wolverine”, dirigido por Gavin Hoods. Com estréia mundial, o filme é estrelado pelo australiano Hugh Jackman que, após roubar cenas nos longas da trilogia, tem seu destaque, enfim, como protagonista.

Com o sucesso de bilheteria da primeira película da trilogia X-Men, dirigida por Bryan Singer, que estreou em 2000, e o consequente aumento da popularidade dos personagens da série, a equipe da Marvel percebeu que seria difícil deixar de revelar por muito tempo a história de Wolverine. No ano seguinte, a minissérie de HQ Origem, desvendou a questão. Agora, estreia nas telonas a polêmica produção, que caiu na Internet cerca de um mês antes do lançamento oficial nos cinemas. A versão que vazou, apesar de parecer ser completa, do início aos créditos finais, não apresenta todas as cenas, segundo a distribuidora Fox. Além disso, os efeitos especiais estão incompletos, revelando, por exemplo, alguns cabos que fazem o ator pular mais alto e animações que substituem a atuação de Jackman ou mesmo de um dublê.


Garras retráteis manuais revestidas do indestrutível metal adamantium e regeneração de tecidos musculares. Esses são os poderes do super-herói que o diferenciam dos reles mortais e é isso que o faz mutante, um x-men. Uma das cenas mais esperadas, aliás, é o momento em que ele tem seus ossos cobertos pelo metal, potencializando sua capacidade de destruição. Antes disso, em “X-Men Origens”, os fatos mais importantes da infância do personagem são desvendados, inclusive o fato dele ser fruto de um relacionamento adúltero de sua mãe com um capataz chamado Logan. Após ver o homem que acreditava ser seu pai assassinado pelo rude funcionário da família, James Howlett, como ainda é chamado, mata seu pai biológico. Passada a tragédia, ele segue a vida ao lado de seu meio-irmão, Victor Creed (Liev Schreiber), o Dentes-de-Sabre, entretanto, o abandona anos mais tarde por querer tomar rumos próprios. Quando sua vida amorosa desmorona, ele participa de uma experiência fenotípica, transformando-se no vingativo Wolverine. Está criado o embate entre ele e Victor, em meio a uma recíproca e ferina raiva que aumenta ainda mais o violento descontrole dos meio-irmãos.

Apesar do filme se passar um século e meio antes da trama primeira de X-Men, outros conhecidos personagens entram em cena, como o futuro líder da equipe de Xavier, Ciclope, que aparece ainda adolescente. O imensamente gordo e proporcionalmente forte, Blob (Kevin Durand) surge na trama grotescamente como o objeto irremovível que é - quando ele se fixa ao chão, ninguém consegue derrubá-lo. O lendário Gambit (Taylor Kitsch) também dá as caras com toda a habilidade de manipular energia cinética e no famoso arremesso de cartas, além de sua destreza em luta corporal e no uso de um cajado. É com grande expectativa que admiradores antigos da série esperam ver, enfim, se já não viram pela web, esses personagens retratados nas telonas e a história de Wolverine, o anti-herói mais violento dentre todos os mutantes.

["X-men Origens: Wolverine" já está disponível nas locadoras]


Texto por Dimas Novais


*matéria originalmente publicada na edição da Tribuna da Bahia do dia 30.04.09

** foto de divulgação


terça-feira, 8 de setembro de 2009

As imagens de Budapeste

Budapeste é a milenar capital da Hungria, centro europeu. Budapeste é o título da obra com a qual o músico Chico Buarque ganhou o respeitado Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção de 2004. Budapeste é agora, também, um filme dirigido por Walter Carvalho e que chega hoje (22.05.09) ao circuito nacional. Sem querer reduzir Budapeste a essas três considerações, percebe-se que há nestas um fator comum a mais que o óbvio: a reconstituição. Enquanto urbana, ela é fruto de não inconstantes reconstruções. Como livro, é o terceiro tijolo na edificação literária do compositor, 14 anos após seu último lançamento em livro. Sendo filme, é a terceira adaptação de Chico para o cinema. E é mais exatamente sobre a película que discorro aqui.

O longa-metragem, de 113 minutos, traz à tona a vida amarga de um escritor-fantasma, profissional disposto a escrever para que outros assinem, incondicionalmente vivendo no anonimato. O carioca protagonista José Costa (Leonardo Medeiros) é um desses tipos. Sem ter encontrado a felicidade ao lado de sua esposa, a workaholic e bem sucedida jornalista Vanda (Giovana Antonelli), ele se depara com o reconhecimento de suas obras em nomes de outros, o que lhe exerce um emaranhado de fascínio e solidão. A partir, então, de uma vida de falsos sucessos, Costa só se vê refugiado na inebriante língua húngara. E é através desse idioma que encontra uma paz e uma paixão que não sentira anteriormente.

O ser humano possui uma língua materna – aquela que aprendeu através da convivência com os seus primeiros contatos comunicacionais – e um privilegiado espaço no cérebro para ser preenchido por outras tantas que se queira dominar. Há aquelas pessoas que se apaixonam por certos idiomas e outras que não conseguem nem se quer arranhar outro. Não que seja absurdo apaixonar-se por outro linguajar, mas preencher um vazio íntimo através de uma fluência de diferente palavreado é perceber que amarras culturais só são (mesmo) amarras. E foi assim que o personagem José Costa conseguiu descobrir o caminho para uma sublime felicidade: aprendendo outro idioma – "a única língua do mundo que, segundo as más línguas, o diabo respeita", como diz um ditado. Por um azar mais que sortudo, Costa vai parar em Budapeste e conhece Kriska (Gabriella Hámori), nativa que lhe ensina o vocabulário da terra. Do lecionar ao amar é um passo – leve e bem-humorado passo.



Na fotografia, um tom que vai à altura do agradável aos olhos e que confere ao enredo sensações no limiar entre o gélido e o afável. Na direção, a criatividade de quem tenta sair da abstração das menos de 200 páginas do roteiro original (o livro) para um posicionamento de visões por vezes embaçadas (até literalmente), mas confortável tal qual a direção de fotografia. As duas se encaixam.

Definitivamente, sem a facilidade de leitura de um folhetim esmiuçado até a última ponta, como a comédia “Se Eu Fosse Você 2”, recente explosão de sucesso de bilheteria nacional, Budapeste deve mesmo manter-se aprovada pela peste, já que ela é simpática ao húngaro. Um longa-metragem, entretanto, para além dos leitores do livro homônimo. Drama acima de tudo para ser lido com a visão de um descomprometimento a Chico Buarque. Com ataques de sentimentos contraditórios e algumas cenas no estilo “arriscar tudo” do personagem principal, tal como o palavreado húngaro, o filme pode parecer desconfortável aos brasileiros, no que diz respeito ao roteiro. Entretanto, com o auxílio da fotografia, o longa apresenta uma carga de vivacidade no encontro de José Costa com sua nova paixão: Budapeste.

[Budapeste chega esta semana nas locadoras]

Ficha Técnica

Título no Brasil: Budapeste

Título Original: Budapest

País de Origem: Hungria / Brasil / Portugal

Gênero: Drama

Classificação etária: 16 anos

Tempo de Duração: 113 minutos

Estréia no Brasil: 22/05/2009

Site Oficial: budapesteofilme.com.br

Estúdio/Distrib.: Imagem Filmes

Direção: Walter Carvalho

Produção: Rita Buzzar

Roteiro: Rita Buzzar, Chico Buarque de Hollanda

Fotografia: Lula Carvalho

Elenco: Leonardo Medeiros, Gabriella Hármoni, Giovanna Antonelli, Ivo Canelas, Nicolau Breyner, Antonie Kamerling


Texto por Dimas Novais


*publicado originalmente no site Bahia Vitrine em 21 de maio de 2009.

**imagens de divulgação