segunda-feira, 11 de abril de 2011

Construções seculares nas trilhas verdes dos condados

Nas próximas linhas, a terceira parte da matéria publicada pelo A Tarde, no Caderno de Turismo, dia 10 de março de 2011.
Além da reportagem escrita, assino também as fotos.

IRLANDA Quem sai de Dublin em direção ao interior encontra vestígios da história e da cultura celta nos mais belos cenários do país


DIMAS NOVAIS
Dublin, Irlanda

Ocupando, no mapa, uma área oito vezes menor que o Estado da Bahia, a Irlanda possui uma das mais belas paisagens banhadas pelo Oceano Atlântico. Os Cliffs of Moher são falésias localizadas no oeste do país, a 265 km de Dublin, três horas de ônibus. Por oito quilômetros, penhascos com alturas que podem chegar a 214 metros margeiam parte da costa do Condado de Clare. Da Torre O'Brien, construída em 1835 em um dos pontos mais altos, a grandiosidade da visão é ainda maior.

Para chegar ao destino mais visitado do interior da Irlanda, há passeios de ônibus saindo de Dublin comtarifas entre 40 e 50 euros (transporte e guia). O preço pode parecer salgado, mas os guias costumam enriquecer o passeio com histórias e lendas da nação, além de cantarem e tocarem nas paradas um pouco de música celta.

Outra opção é sair de Galway, maior cidade da região oeste, onde é possível pagar 15 euros (crianças, estudantes e acima de 65 anos) ou 20 euros (adultos). Nesse caso, vale a pena reservar um outro dia para conhecer Galway, a terceira maior cidade do país, que abriga a imponente Cathedral of Our Lady Assumed into Heaven and St Nicholau e a Latin Quarter, quarteirão de efervescente vida noturna.

No caminho, um dos principais pontos de parada é o Parque Nacional Burren, sítio repleto de rochas calcárias com fissuras, paraíso para apreciadores de geologia. O Castelo de Dunguaire é outro belo cenário para ser apreciado antes dos Cliffs. Edificado em 1520 pelo clã O'Hynes nas margens pitorescas da Baía de Galway, está aberto diariamente para os visitantes entre abril e outubro.

Chamada por Oscar Wilde (um dos maiores representantes da literatura irlandesa) de lugar de beleza selvagem, Connemara (Condado de Galway) abriga um dos castelos mais imponentes do país, o Kylemore. Por uma taxa que varia entre 7 e 12 euros (a depender da idade e estação do ano), o visitante tem acesso a uma região cujo destaque é a construção datada de 1867, que até hoje guarda os detalhes luxuosos da vida que levavamos duques de Manchester, ex-moradores do castelo.

Entre outros espaços abertos aos viajantes estão a Abadia, a Igreja Gótica, o Victorian Walled Gardens (jardim de dois hectares e meio, único na Irlanda localizado em um pântano); o Ateliê de Cerâmica, o Restaurante e o Quarto do Chá, bem como os lagos Pollacappul e Maladrolaun, além de um bosque disponível para passeio. Esse destino fica no extremo oeste do país, a 80 km de Galway.


Castelo de celebridades
Pagando entre 40 e 50 euros por um passeio de ônibus, compartida de Dublin, o turista opta por conhecer também a província de Connacht, município de Cong, onde a Cong Abbey é um dos destaques. Fundada no século VII, a abadia resistiu a um incêndio no século XII e à invasão do rei normando William de Burgh, em 1203. Mas a pérola do lugar é o Castelo de Ashford, edificado em 1228.

Abrigando atualmente um hotel de luxo, da rede Leading Hotels of the World, com diárias entre 295 e 650 euros, o lugar já foi habitado por uma única família real por três séculos e meio, e, depois por barões. Utilizado como locação do clássico filme The Quiet Man (Depois do Vendaval, no Brasil), de John Ford, em 1952, estrelado por John Wayne, o castelo já hospedou John Lennon e George Harrison, o ex-presidente dos EUA Ronald Reagan e atores como Brad Pitt e Pierce Brosnan.


*Acesse mais fotografias da Irlanda no blog: http://turismo.atarde.com.br

terça-feira, 5 de abril de 2011

À noite, Dublin ferve comos pubs. De dia, abre seus prédios históricos

Neste post, a segunda parte da matéria publicada pelo A Tarde, no Caderno de Turismo, dia 10 de março de 2011.
Além da reportagem escrita, assino também as fotos.

Baile Átha Cliath, no idioma irlandês, e Dublin, em inglês, a capital irlandesa, cidade de um milhão de habitantes, ferve à noite, principalmente no Temple Bar com seus centros culturais, restaurantes e pubs.

Atravessando o rio Liffey, que divide a cidade em Norte e Sul, chega-se na O'Connel Street, principal rua de Dublin. Nesse centro comercial, localiza-se o ponto central da cidade, o Spire, uma espécie de agulha gigante feita de aço inoxidável, com mais de 120 metros de altura.

Com o Luas (bonde), o Daft (trem) e a linha de ônibus da cidade, o transporte público é utilizado em massa por todas as classes econômicas, permitindo uma livre circulação nas ruas sem congestionamentos.

Entre as atrações turísticas, destaca-se a Trinity College, mais antiga universidade da Irlanda, fundada em 1592 pela Rainha Elizabeth I.

Ao lado da Trinity College está a Grafton Street, concorrido centro turístico de compras, onde lojas e shoppings disputam espaço com restaurantes, lanchonetes e lojas de souvenirs. Nas proximidades, prédios antigos e modernos, um notável retrato da história arquitetônica da nação. Na Área Medieval estão Christ Church, o Castelo de Dublin e a Catedral de Saint Patrick.

Entre os museus da capital, os destaques são os Museus Nacionais (todos gratuitos). Já para uma apreciação das recentes edificações da cidade, vale ir às áreas Dublin 1 e Dublin 4.

Perto do porto estão o Grand Canal Theatre, a roda-gigante de Dublin (mesmo modelo da londrina) e a famosa casa de shows O2, que tem sedes também em Londres e Berlim.

O forte traço cultural influencia até no gosto pelo esporte

A Irlanda tem uma história rica que não passa ao largo do cotidiano agitado regado a cerveja bem consumida nos estádios. Após os celtas, guerreiros da Era de Ferro, povoarem o país, os vikings invadirama região no século 8, fundando Dublin no século 10. Em 1169 foi a vez dos ingleses dominarem a região. Parte do Reino Unido até 1922, a Irlanda se transformou em Repúblicada Irlanda somente em 1948 deixando o Estado Britânico.


Com duas línguas oficiais, o irlandês (herança celta datada de 300 anos a.C.) e o inglês, o país tem dois nomes oficiais: “Éire” e “Ireland”. De maioria católica, a Irlanda não engloba todos os condados dailha irlandesa. Seis, dos 32 no total, constituem a Irlanda do Norte,domínio do Reino Unido, até hoje, de religião oficial protestante. Em 1955, a República da Irlanda integrou as Nações Unidas e 17 anos mais tarde, a União Europeia.


Futebol
Da origem celta, os irlandeses herdaram o gosto pelo hurling, jogo parecido com o hóquei. O futebol é favorito, mas a torcida é por times ingleses como Chelsea e Manchester United.

*Acesse mais fotografias da Irlanda no blog: http://turismo.atarde.com.br

sábado, 19 de março de 2011

Ilha cor de Esmeralda

A seguir, primeira parte da matéria publicada pelo A Tarde, no Caderno de Turismo, dia 10 de março de 2011.
Além da reportagem escrita, assino também as fotos.

IRLANDA O verde que cobre os campos da terra de Oscar Wilde convida o visitante a conhecer os arredores de Dublin

CÁSSIA CANDRA
Editora interina

Uma espécie de lenda urbana
conta que há mais de 900 pubs
na capital irlandesa. Como essas
coisas têm um fundo de verdade,
não há como arrumar as
malas para conhecer o país da
mais famosa banda de rock do
planeta, U2, sem planejar algumas
baladas regadas a Guinness,
a cerveja preta encorpada,
uma preferência nacional.

Mas, a Irlanda é muito mais
que o agito da Temple Bar, reduto
da boemia, onde se encontram pe
ssoas de todo o mundo.
Em Dublin há muito o que
fazer. Que tal visitar Trinity College,
universidade do século16,
fundada pela Rainha Elisabeth I,
onde estudou Oscar Wilde?

A ilha, que fica a uma hora de
avião de Londres, é terra de outras
personalidades das letras: o
dramaturgo Samuel Beckett
(Nobel de Literatura de 1969), o
poeta James Joyce e Bram Stoker,
autor de Drácula.

No país que ainda inspira lendas
da cultura celta, também se
respira ar puro. Abrigando os
maiores parques fechados da
Europa, na capital, e o verde que
cobre seus condados, no interior,
é visível a preocupação dos
irlandeses com a natureza.

Em uma viagem pelos arredores
de Dublin, com suas falésias
e castelos medievais incrustados em paisagens
que parecem saídas
de quadros de Monet,
não é difícil entender por
que cai tão bem à Irlanda o codinome
“Ilha Esmeralda”.


O verde reina nos condados da ilha, famosa
por sua cerveja e por sua história medieval
Cenários deslumbrantes no interior e a noite agitada da capital temperam o clima da terra natal do U2

DIMAS NOVAIS
Dublin, Irlanda

Uma ilha situada ao lado da Grã-Bretanha. Tão rica em verdes campos, quanto em castelos. A uma hora de Londres, via céu, a três de Liverpool via mar, está um passado milenar que mescla o misticismo da cultura celta coma famosa bravura dos vikings. Uma história recente em que a Inglaterra deixou fortemente seu legado.

O presente de uma das mais simples – embora vibrante – capitais da Europa e de um interior dos mais charmosos do Velho Mundo. Se a Escócia e a Noruega aguçam a curiosidade sobre os grandiosos reinados da Idade Média, vale a pena dar uma chance à terra comparada à cor das esmeraldas, a Irlanda.

São 26 condados, nomenclatura semelhante a estados, por onde se espalham relíquias arquitetônicas, herança celta, muito bem conservadas até hoje devido ao isolamento geográfico da ilha. Famoso por ser, digamos, apreciadores incansáveis de álcool, o povo irlandês tem a cerveja Guinness como um de seus símbolos, declarado orgulho da nação.

Uma espécie de lenda urbana conta que há mais de 900 pubs (como os bares são chamados) no país e como isso deve ter um fundo de realidade, nenhum turista tem do que reclamar quando o assunto é bebida. Essa, aliás, é acompanhada sempre da boa música local.

Dia do padroeiro
Uma das datas mais célebres da Irlanda se aproxima: o Saint Patrick's Day. É o Dia de São Patrício, padroeiro do país, responsável por difundir o cristianismo na ilha, no século 5. Como principal festa, uma parada pelas ruas da capital é organizada anualmente para comemorar o dia 17 de março.

Mas a celebração, como passar dos anos, se tornou um festival. Nesta edição será realizado entre os próximos dias 16 e 20, com shows, exibições de filmes, espetáculos teatrais, artes visuais e outras manifestações artísticas. Sete dias após o fim do Carnaval, começa, então, a
folia irlandesa.

Aviso aos viajantes
Um outro motivo para os festejos da data é a chegada da Primavera,tempo de renovação não só na natureza como da energia do povo. Os dias muito frios ficam para trás abrindo caminho para os dias frios, apenas frios. Isso, porque a Irlanda é conhecida pelo clima gélido, porém sem bruscas diferenças sazonais no decorrer do ano.

No Verão, a temperatura fica entre 15ºC e 18ºC. No Inverno, o clima frio não é rigoroso usualmente, variando entre 2ºC e 7ºC. Entretanto, no último dezembro, os turistas e a própria população nativa se surpreenderam com temperaturas que chegaram a 17ºC negativos. Um aviso aos viajantes da Ilha Esmeralda: independente do destino para as férias, luvas, gorro, casaco e um guarda-chuva não devem ser dispensados. Com constantes quedas d'água é raro o visitante não presenciar uma chuvinha cair. O bom é que as planícies estão sempre verdes, fazendo das paisagens cenários deslumbrantes.


*Acesse mais fotografias da Irlanda no blog: http://turismo.atarde.com.br

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Neve em três capítulos: encantamento, desentendimento e reconcialiação

*ler escutando "One", do U2

Encantamento

No início, eram só flores - apesar de o inverno só deixar os espinhos (agora, literalmente falando). A neve traz uma sensação de limpeza, uma sensação cinematográfica. Ao menos pra mim, que vim de uma cidade quente da muléstia, no Nordeste do Brasil.

Eram quatro e meia da madrugada de um dos últimos dias de novembro quando fui acordado por uma mensagem de celular que dizia: “Saia de casa! Está nevando!”. Ao olhar pela janela, vi o meu quintal branco, os carros brancos, as árvores brancas. Fiquei ali, uns segundos completamente enternecido. Mas isso não me bastava, queria não só ver como sentir aquilo. Ao descer as escadas de casa, outros dois brasileiros estavam saindo do quarto deles pelo mesmo motivo. Num frio de cerca de dois graus Celsius negativos saímos do calor e entramos no freezer, que era o lado de fora, para sentirmos os flocos de neve cairem sobre as nossas cabeças. Parecíamos pinto no lixo, crianças ao abrir dos presentes em noite de Natal. Foi amor à primeira vista: eu e a neve, a neve e eu!

Após esse primeiro instante congelante seguiram-se momentos de contemplamento. Mas centenas de fotos, bonecos de neve e iglus depois... veio o gelo. É que após a nevasca, período de uns dois ou três dias nevando, a neve vira gelo e, esse, faz todo pedaço de chão ficar escorregadio. Toda hora tem um caindo na rua. Eu mesmo caí cinco vezes em um único dia. Mas, calma, eu explico: um dos meus sapatos tem o solado completamente liso – impossível não andar instável com eles. Tudo bem que me senti completamente tabaréu vendo a neve, mas essa não foi a razão das quedas. A culpa foi mesmo dos sapatos.

Essa primeira nevasca que presenciei caiu em Dublin no início do inverno, período absolutamente incomum para tal ocorrência climática na ilha irlandesa. Já a segunda nevasca começou dia 20 de dezembro, um dia antes de minha viagem. Foi aí que me desintendi com ela, a neve.

Horizonte

Revendo meu amor à neve
Passagens de avião e de trem compradas, estava com minhas férias de Natal prontas. Iria para Barcelona e de lá para Toulose me encontrar com alguns primos meus para passarmos o Natal em uma outra cidade no sul da França. Seria uma oportunidade única de estar com eles em um momento como esse em um lugar como aquele. Seria. Não foi. Meus planos foram por neve abaixo.

Passageiros saindo do avião minutos depois de terem entrado.
Com tudo branco, centenas de aeronaves não puderam decolar

A nevasca ficou mais forte justamente no dia 21 de dezembro, quando iria embarcar para a Espanha. Não se enxergava nada no céu a não ser um paredão branco. O saco de algodão foi rasgado e a cidade ficou inundada de neve. Não se sabia mais o que era asfalto, calçada, grama. A neve tinha chegado a quase 20 cm de profundidade. Evitando atrasos, peguei um táxi ao invés de ônibus para ir ao aeroporto. Ao chegar lá, percebi que alguns vôs estavam atrasados. Até então, nada tão anormal. Mas quando vi que voos estavam sendo cancelados, comecei a ficar preocupado. Check in feito, às 13h da tarde fico sabendo que o aeroporto de Dublin havia sido fechado até às 17h em função do mal tempo. Meu voo seria às 13h55. Aguardei até às 15h quando soube que poderia pegar minha mala e voltar para casa porque o meu voo havia sido cancelado. O que isso significava? Que eu poderia escolher um novo voo para Barcelona, em outro momento, ou pegar meu dinheiro de volta. É claro que pensei: “Sem problemas, pego um voo amanhã, 22, e está tudo certo.” Mas o que a Ryanair (companhia aérea encarregada de me transportar pela Europa) me ofereceu foi simplesmente uma passagem para o dia 30 de dezembro. Isso seria quase 2011! E eu deveria voltar a Dublin no dia 29. Ou seja, fiz o pedido de reembolso e procurei em outras companhias aéreas mas nada achei para antes do Natal. Resultado: sem voos disponíveis, fiquei em Dublin. Com neve por todos os lados e sem o Natal programado.

Por constantes vidros embaçados era possível ver os pedestres andando mais rápidos que os carros. Sobre o gelo, 40km/h é ser imprudente

Cair na neve, tudo bem. Me atrasar pra todos os compromissos, tudo bem. Esperar por quatro horas um ônibus, é... tudo bem, até vai. Mas perder meu Natal, não. A neve acabara de criar uma confusão pesada comigo!

Reconciliação
Dia 24 de dezembro, então, decidi passar a ceia natalina com amigos brasileiros e mexicanos. Antes disso, entretanto, fui dar uma volta com um amigo no centro da cidade para fotografar. Não estava nem um pouco afim de contemplar a neve que ainda caia, mas, sim, acompanhar o movimento pré-Natal. E foi aí que a tal reconciliação aconteceu, graças a um milagre de Natal. Não que eu estivesse triste, mas lamentava não estar com meus primos.

Em torno de 100 pessoas presenciaram a cantoria natalina

Estava caminhando na Grafton Street quando uma aglomeração me fez parar. As atenções de cerca de 100 pessoas estavam voltadas para o cantor Glen Hansard (vencedor do Oscar de melhor canção original pelo filme Once, em 2008, no qual também foi protagonista). Ele tocava, claro, canções natalinas com alguns músicos, o que fez daquele momento já bem interessante. Mas incrível mesmo foi quando Bono Vox se juntou a eles. O cantor da banda irlandesa U2 integrou-se ao círculo de músicos e, sob forte alvoroço do público, cantou canções como "So This Is Christmas" e "One". Entoamos juntos essas e algumas outras músicas: Bono, eu e umas 100 pessoas. Ganhei meu Natal! Inesquecível!!!

Bono soltando o gogó

E eu cheguei a pensar que não iria ver uma apresentação do U2 em Dublin antes de voltar ao Brasil. Bom, ainda não vi o tal show, mas uma capela há dois metros de distância, sem microfone ou efeitos especiais, salvou meu Natal. Não lamento mais não ter viajado. Fiz as pazes com os flocos de neve. Enquanto eles caem, vou ouvindo, sem mágoas, U2 no meu iPod.


Um dos melhores vídeos gravados do momento que achei no Youtube

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O sol de Shakira está chegando...

De Dublin, Irlanda

“Loca” na música, “loca” na dança, ela realmente enlouquece o público. Na noite da última quinta-feira, Shakira, a cantora latina de maior visibilidade do mundo pop, da atualidade, levou sua mais nova produção ao palco da Arena O2 da capital irlandesa, Dublin. E se ao lado de fora, a temperatura beirava os zero graus Celsius, o calor interno da casa, lembrava mesmo o do astro rei. Apresentando o disco “Sale el Sol” (“The Sun Comes Out”, na versão em inglês do CD), lançado em outubro, ela provou que seus quadris não mentem ao entoar hits como “Waka Waka” e “Loca”, seu atual single. A seguir, o repertório que a cantora deverá levar a pelo menos três cidades brasileiras no próximo ano.

Do álbum “Pies Descalzos” (1996), Shakira resgata a canção “Pienso em Ti” para abrir seu novo repertório. Ela inicia o show já em contato direto com os fãs andando entre o público em direção a uma passarela, extensão do palco. Ao tirar a camada de roupa que a envolve fazendo-lhe parecer uma rosa, a colombiana, enfim, deixa suas curvas à mostra. E é com “Te Dejo Madrid” e “Whenever, Wherever” que ela começa a esquentar o espetáculo.


Uma parada para um tom romântico se inicia com “Inevitable”, na qual toca violão. “Uma das canções mais especiais que já compus”, confessa. Soltando um clima de paixão ardente no ar, “Despedida” e “Gipsy” são tocadas envoltas por um som acústico fazendo o público delirar com a perfomance à la cigana da cantora com um dos músicos.

“La Tortura” e “Ciega, Sordomuda” fazem os fãs dançarem novamente – guardando, aqui, as devidas proporções de como os europeus reagem timidamente às canções enérgicas. Mas latinos presentes animavam contagiosamente a plateia. E é após esse momento que toques de superprodução começam a tomar o show. O telão de alta resolução se divide ao meio, uma gigante escultura em forma de uma face humana se sobressai e é através dela que os maiores efeitos visuais são projetados. Com a faixa “Sale el Sol” , Shakira sugere que o sol aparece quando menos se pensa, diz a letra da canção.

“Loca”, “She Wolf” e “Ojos Así” são um dos mais quentes blocos do concerto. Mas é no bis, após retornar ao palco, que o ápice acontece com “Hips Don’t Lie” e “Waka Waka”. Antes da canção inspirada na África ser entoada, um vídeo é exibido mostrando crianças do continente dando declarações do que querem para suas vidas. Frases como “quero ser engenheiro”, “quero ir à escola” e simplesmente “quero ser eu mesmo” dão o tom de solidariedade que, afinal, a música propõe ao dizer: “esse é o momento da África”. Ao final do hit, sob chuva de papel picado fluorescente a cantora, então, se despede do público.


“Why Wait”, “Nothing Else Matters” (cover do Metallica), “Underneath Your Clothes”, “Gordita” e “Las de La Intuicion” completam o setlist da turnê, além de “Antes de las Seis” e “Si te vas”, que esporadicamente ficam de fora em algumas apresentações.

Ápice da carreira
Apesar de todas as milimetradas falas e marcações de palco, Shakira consegue dar espontaneidade à sua performance, diferente de cantoras mais engessadas em seus shows como Beyoncé e Rihanna. Aliás, foi seguindo a linha dessas cantoras contemporâneas, que no momento mais pop da carreira, em 2009, Shakira, lançou o “She Wolf”. O disco, inovador em sua linha musical até então, agregou um público diferente à sua carreira, mas afastou os que se identificavam com o som dos álbuns passados. Após experimentar essas batidas, ela voltou a apresentar, embora não completamente, os tons e sotaques que lhe abriram as portas para o mundo: a música latina.

Trazendo consigo os tais raios solares de latinidade, Shakira conseguiu emplacar uma carreira muito bem-sucedida fora do contigente da língua hispânica. Nessa semana, seu álbum completa oito semanas como o mais vendido de música latina e o hit “Loca” lidera o ranking das músicas dance mais tocadas, segundo a Billboard.

Dando continuidade ao que outras já haviam feito (destaque para a cubana Gloria Estefan), a colombiana está embalada pelo recente sucesso de “Waka Waka”, canção oficial da FIFA na última Copa do Mundo. Provavelmente em função disso, seu último disco foi o mais rapidamente produzido de sua carreira. Na turnê atual, ela se apresenta em cerca de 20 países entre América e Europa. Embora as datas para o Brasil ainda não tenham sido confirmadas pelo site oficial da cantora, a imprensa brasileira já divulgou que ela será atração do Pop Music Festival realizado no país em março de 2011. Porto Alegre, dia 13, Brasília dia 16 e São Paulo, dia 19, são as datas até o momento. Um show no Rio de Janeiro está sendo negociado, segundo informações do Portal Ig.


*matéria originalmente publicada em 18.12. 2010 na Tribuna da Bahia
*fotos de Dimas Novais e Cristiano Mota
* texto de Dimas Novais

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Um ensolarado dia qualquer em Dublin... / A any sunny day in Dublin...

...não pode ser considerado qualquer mesmo!
Afinal, essa cidade mistura quatro estações em 24 horas, ensinando que não se pode sair de casa sem casaco, nem sem câmera.
Em um desses dias, fotografei algumas imagens interessantes e incomuns - para meu olhar, ao menos.

Seguem os registros.

See ya!

.................................................

...can't even be considered as any!
After all, this city blends four seasons into 24 hours and teaches that you can never leave home without a coat or without a camera.
One of these days, I took some interesting and unusual pictures - to my eyes, at least.

Here are the records.

See ya!







segunda-feira, 4 de outubro de 2010

50 dias intensos!

8 dias estudando para uma prova de inglês; 7 dias com uma querida prima aqui em Dublin; 8 dias de Alemanha (4 deles no Oktoberfest, Munich); além de dias de relaxamento, trabalho e outras coisas mais.

Eis que volto a postar no blog contando algumas novidades.

Passei na prova do inglês, e, enfim, sou upper-intermidiate, o quarto nível entre cinco do curso. Isso signica que estou falando e ouvindo cada vez melhor o idioma, mas, definivamente, longe do que eu quero estar.


Minha atual turma de inglês em visita a National Gallery

Elessandra, uma prima, que todo ano dá umas voltas pela Europa, esse ano, conheceu o clima gostoso (ironicamente falando) da Irlanda. Fomos em vários e interessantes lugares, como o Museu de Arte Moderna (Irish Museum of Modern Art), o Museu de História Nacional (National Museum), a roda-gigante de Dublin (Dublin Wheel), o St Steephens Green Park, o Marrion Square, entre outros. Ela, nos momentos que não pude acompanha-la, rodou a cidade e ainda foi ao condado de Wicklow. Um detalhe que seria relevante é que ela não fala inglês fluente. Mas no caso dela isso não é notório, já que nem por isso ela se acanha em desbravar o mundo! Danada!

Minha prima Elessandra e eu, na Grafton Street

A Alemanha é demais! Incrível! Muito bonita mesmo, a impressão que tive das cidades foram:

-Frankfurt: cidade de negócios, muitos arranha-céus, concentração de sedes de bancos e grandes empresas, vida noturna interessante, muitos museus e charmosos pontos de encontros sociais, como praças e aquela típica antiga arquitetura.

-Munich: ainda mais bonita que Frankfurt, embora eu não tenha conhecido tanto a cidade. Como fui lá com o objetivo de curtir o Oktoberfest, não dediquei tempo nenhum a explorá-la fora os trajetos de transporte entre a festa e o camping onde fiquei.

-Berlin: só conheci o Muro de Berlin, não tive tempo pra mais nada. Ficou um gosto intenso de quero mais!

Tenda Paulaner, no Oktoberfest, em Munich. No centro, uma banda bavaria.

Sobre o trabalho, vai muito bem. Minha comunicação com os clientes irlandeses melhorou muito nas últimas semanas - até no fim das noites, quando estão quase todos bêbados.

Bom, vou dar um pulo em outro Oktoberfest agora, o daqui de Dublin (http://www.oktoberfest-dublin.com)! Depois, comento as diferenças entre o original alemão e esse.

Cheers!